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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

NASCE MAIS UM PRIMO!

Este é um Dias, Lemes, Oliveira, Nogueira, Cattapreta, Barbosa....e outros tantos mais que compõem a sua genética conforme árvore genealógica.
João Pedro Dias Nogueira, nasceu dia 5, ás 20:50hs,com 3.530 kg.48cm, e já habita nosso mundo há 10 dias. Filho de Thaty Barbosa Dias e Luiz Américo Nogueira.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Homenagem aos 100 de Cambuquira (clique na gravura para ampliar)

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"rolha, ali adiante, sarta fora"... (clique na grav. para ampliar)

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Cambuquira é assim: pequenina, exuberante em sua vegetação...

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A natureza tudo lhe deu...(clique para ampliar!)

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A mesma paz de outrora...

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Não há mal que resista a este clima e a estas águas...

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Nas madrugadas quando o silêncio predomina...

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Aos Mestres, Com Carinho.

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São muitas as Minas Gerais, mas uma só Cambuquira.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

“Considero Cambuquira o meu paraíso”.

Ana Paula Lemes de Souza

Dr. Vicente Urti: nome de um dos maiores benfeitores de nossa Cambuquira e figura de grande importância da nossa história.
Com 93 anos de idade, de muita saúde, e 69 anos de clínica médica, o ilustre 3° Presidente dessa Casa Legislativa nos conta sobre sua paixão por Cambuquira e pela medicina.

01) Como e quando o senhor ficou conhecendo Cambuquira?
A primeira vez que aqui estive foi em 1940. Eu trabalhava em um Hospital do Rio de Janeiro, cujo Chefe era compadre de um médico de Cambuquira, chamado Dr. Emílio Póvoa, que aqui clinicou em 1937, 1938 e 1939, deixando a cidade para se instalar em São Lourenço, lugar em que chegou a ser prefeito por duas vezes. Na época, esse meu Chefe estava pensando em pra cá se transferir e, como ele era muito amigo de meu pai, tentou convencê-lo, de toda maneira, de que eu deveria aqui me instalar. Vim a Cambuquira a passeio dia 04 de Maio de 1940, ficando hospedado no Hotel Silva. Após cinco dias de estadia, apareceu um caminhão na porta do Hotel com o mobiliário todo do meu consultório do Rio de Janeiro, que meu pai havia despachado pra cá. Acabei aqui ficando. Na época, eu era solteiro, mas já estava namorando minha atual esposa. Quando nos casamos, dois anos depois, viemos morar onde atualmente é a residência do comerciante Dario, lugar em que vivi por dez anos.

02) Como foi recebido pela comunidade na época?

Fui muito bem recebido. Eu montei um consultório, na Rua Direita, em frente ao antigo Hotel Globo, onde atualmente funciona a Prefeitura. Também clinicava em casa, onde tinha outro consultório pronto para atender quando vinham a minha procura. Fora isso, também ia à casa das pessoas para atendê-las.

03) Como foi a sua luta para a construção do Hospital, na época em que fora Vice-Prefeito?


Quando aqui cheguei, havia um casarão, que era pra ser o Hospital, mas não estava funcionando. Com a minha chegada, ele começou a funcionar. Comecei com o ambulatório. Atendia três vezes por semana, ocasião em que eu atendia aos pobres. Vinha gente até de Lambari para clinicar aqui comigo. Dois anos depois, solicitei ao então Prefeito um dinheiro para montar pelo menos um centro cirúrgico, uma sala de operações e uma sala de parto. E assim foi. Reservei quatro quartos particulares que se tornaram: sala de parto, sala de cirurgia e esterilização. Então o Hospital começou a se desenvolver. Operei muita gente de Cambuquira lá, até mesmo quatro veranistas.
Toquei aquele hospital, e eu era o seu único médico. Dr. Manoel Brandão, médico antigo da cidade, esteve lá algumas vezes, quando eu lhe pedia ajuda em uma operação ou alguma outra coisa. Fora isso, eu era sozinho. Eu e mais duas enfermeiras, irmãs, do município de Três Corações, que aqui trabalhavam e moravam.
No Governo do Gaspar Dutra, surgiu uma oportunidade para a cidade: ele destinou cinco hospitais para as Estâncias Hidrominerais. Quando tive notícias, dois dias depois, corri ao Rio de Janeiro, mas já haviam sido distribuídos: um para São Lourenço, um para Poços de Caldas e três para o Estado de São Paulo. Então, reclamei. Acabaram me dando uma planta baixa do Hospital, somente o andar inferior, e aceitei. Mas, vendo que Cambuquira merecia algo melhor, eu, mesmo não sendo engenheiro, nem arquiteto, construí a planta do andar superior: os apartamentos e o centro cirúrgico. A partir desse fato, houve uma denúncia ao Ministério. As subvenções ao Hospital, nessa época, foram cortadas, ocasião em que fui ao Rio de Janeiro e, com esforço, consegui a volta do auxílio, que fora enviado para o interior do Mato Grosso. Tive a ajuda de um deputado eleito por Minas Gerais, Afonso Arinos de Melo Franco, que esteve em Cambuquira, para acompanhar-me ao Ministério.
Quando Diretor do Hospital, dediquei-me inteiramente.

04) As funções de médico e político têm em comum a objetivação de melhoria de vida das pessoas.

Apesar de terem formas diferentes, a ênfase em ambas as profissões é o ser humano e o sucesso se reflete na forma em que lhe é dedicado o cuidado, e no amor com que é exercida a profissão. O humanismo está à frente, como ponto crucial. Baseando-se na sua experiência profissional em ambas as funções, nos diga: em qual delas houve mais amor em exercer? E em qual delas houve maior facilidade em lograr resultados?

Em amor, com certeza a profissão de médico. Mas em lograr resultados, pela abrangência e possibilidades de trabalhar com o coletivo, com certeza a política, esta que eu entrei por mera casualidade.
Quando acabou o Governo de Getúlio, as eleições voltaram. Àquela época, aqui existiam dois partidos: o PSD e a UND, que eram opositores políticos. O PSD era representante das oligarquias rurais e era favorável a Getúlio e a UDN reunia os setores liberais de oposição a Getúlio. De início, eu não queria entrar na política de jeito nenhum, mas acabei entrando.
Entrei na UDN. Para a chapa, foi escolhido André Bacha para Prefeito, e eu entrei como Vice-Prefeito. Na eleição, eu tive o maior numero de votos, maior inclusive que do próprio André. Quando ia acabar o mandato, eu fui o candidato escolhido pelo partido, e pedido também pelo povo, na sucessão do André Bacha, o que me fez largar a Prefeitura três meses antes das eleições para a desincompatibilização de cargos.
Na homologação de minha candidatura, o Dr. Manoel Brandão me fez um apelo para que eu abrisse mão dela, para que ele pudesse ser o candidato. Apesar de eu ter ganhado a eleição na convenção por quatro a dois, acabei cedendo. E então ele foi candidato a Prefeito e ganhou. E eu fui candidato a Vereador, sendo Presidente da Câmara em 1951.

05) O seu trabalho como médico iniciou-se quando? Até quando exerceu a profissão?

Eu me formei médico em 1938, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dois anos e meio depois, eu vim para Cambuquira. Exerci a profissão até agosto do ano passado (2007), e tudo que restou do meu consultório de Copacabana foi enviado pra cá, para o Hospital de Cambuquira: vinte e cinco caixas de material médico bom, sendo três deles com livros de medicina, que já não cabiam mais na biblioteca do meu apartamento no Rio de Janeiro, além de material para o laboratório.
Foram 69 anos de vida profissional, trabalhando intensamente e apaixonadamente.

06) Como foi a conciliação entre a profissão de médico e político?

Houve uma boa conciliação. O cargo de político, naquela época, era algo ligeiro, não tomava tempo. Exerci minha profissão de médico inteiramente. As reuniões ordinárias da Câmara eram semanais e sempre à noite. Quando havia algum assunto em pauta, o Presidente convocava, extraordinariamente. A Câmara Municipal funcionava no andar superior da Prefeitura antiga, em frente ao Hotel Silva.

07) O senhor foi o Vereador mais votado em sua época, e escolhido como Presidente da Casa, demonstrando o carinho e a confiança que o povo, e seus colegas políticos, por você inspiravam. O que o levou a renunciar ao mandato em 12 de novembro de 1952?

Foram questões familiares. A minha senhora não gostava de Cambuquira e não queria aqui continuar vivendo. Tanto que os dois últimos anos em que aqui permaneci, fiquei sozinho, e minha mulher no Rio de Janeiro. Se eu insistisse em continuar, o casamento acabava. Eu abdiquei de tudo: uma boa clínica, casa, terrenos. Vendi tudo para ir embora em 1954.
Durante um certo período, eu vinha a cidade todo ano. Depois, exerci uma profissão que me tomou muito tempo: eu fui concursado como médico legista da polícia. Tirei segundo lugar. Exerci durante trinta e três anos o cargo. Eu não era muito adepto, mas precisava do emprego.
Em 1959, eu passei no concurso para a Previdência Social. Chefiei o serviço de cirurgia ginecológica desse órgão durante vinte anos. Depois, comecei a fazer clínica, e fiz clínica boa, quando abri um consultório de ginecologia e obstetrícia em Copacabana.

08) Até hoje seu nome é lembrado com muito carinho pelos cambuquirenses, principalmente os que puderam conhecê-lo e que se beneficiaram da sua dedicação como médico, e de sua luta pelo desenvolvimento de Cambuquira, onde o senhor batalhou pela construção do Hospital, e por outras causas que beneficiaram a qualidade de vida dos cambuquirenses. Como foi deixar a cidade a que você tanto amava, e era amado? As pessoas ainda te reconhecem na rua?
Senti muito, senti demais. Eu amo essa cidade. Considero Cambuquira o meu paraíso. Os médicos antigos que daqui saíram, nunca mais voltaram. Eu volto uma ou duas vezes por ano. E venho contra a vontade da minha mulher e da minha filha, Tereza Maria Urti, que, apesar de cambuquirense, também não gosta daqui. Já o meu filho, Vicente Urti, adora. São ambos nascidos e registrados em Cambuquira.
Aqui fiz clínica, fui Diretor do Hospital, Vice-Prefeito, Presidente da Câmara e também o primeiro presidente do Cambuquira Tênis Clube (CTC).
O Governador de Minas, Benedito Valadares, destinou dez Praças de Esportes a cidades mineiras. Dentre as agraciadas, estava Cambuquira. O prefeito da época, Dr. José Ribeiro Lage, era uma pessoa muito ligada ao governador. Então ele nomeou-me o primeiro Presidente do Clube.
As pessoas ainda me reconhecem na rua e têm por mim muito carinho. Principalmente os antigos, que me abraçam na rua, e os velhos amigos, que aqui deixei.

09) O senhor exerceu encargos tanto do Executivo, como Vice-Prefeito do André Bacha, no primeiro mandato eletivo de prefeito em Cambuquira, no ano de 1948, como do Legislativo, como o Presidente da Casa, em 1951. Em qual houve mais prazer em exercer?

Como Presidente da Câmara. Mas como Vice-Prefeito eu tive mais chance de tratar dos assuntos de interesse da cidade.

10) Comparando a cidade na sua época e nos dias de hoje, qual a sua perspectiva para o futuro de Cambuquira?

Sinceramente, desde a época em que eu saí da cidade, até agora, não vejo melhoramento nenhum. Nada de bom. Naquele tempo a água mineral de Cambuquira era explorada, medicinalmente e comercialmente, e era engarrafada. Há quanto tempo não vejo uma água de Cambuquira no Rio de Janeiro. O Balneário fechado. A cidade, ao invés de melhorar, só regrediu.

11) Para finalizar, deixe um recado para os futuros políticos da cidade e conte seus desejos como médico, e cambuquirense de coração, para o futuro de nossa Cambuquira.

Desejo que os novos políticos façam duas coisas: o melhoramento e a divulgação de nossa cidade. Do contrário, aqui não vai pra frente. Cambuquira quase não é conhecida. Só se fala em São Lourenço.
Em relação à saúde, desejo que a Prefeitura zele pelo Hospital, e dê incentivos para a sua manutenção. Uma coisa que sou contra é a denominação “Lar de Meimei”. Nome de hospital é o nome da localidade, como “Hospital Geral de Cambuquira”, ou o nome de uma pessoa que foi seu beneficiário, ou, ainda, de grandes nomes da medicina.

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Um breve histórico do Poder Legislativo Municipal de Cambuquira

Ana Paula Lemes de Souza

A 12 de maio de 1909, pelo Decreto Estadual n° 2.528, e em cumprimento às Leis 373 e 396, Cambuquira constituiu-se Município, desmembrado do Município de Três Corações; e, a seguir, pelo Decreto Estadual n° 2.550, de 04 de junho de 1909, nomeou-se o seu primeiro Prefeito, Dr. Raul de Noronha Sá.
O Legislativo Municipal era denominado Conselho Deliberativo, composto de sete membros efetivos, eleitos pelo povo, e definido pelos dispositivos do Decreto n° 1.777, de 30 de dezembro de 1904. Em um primeiro momento, durante o governo do Dr. Raul de Noronha Sá, Cambuquira não instalou o seu Conselho, o que veio acontecer somente a 1° de junho de 1912, na administração do Dr. Thomé Brandão, segundo Prefeito.
O Município foi solenemente instalado, pela posse dos membros do seu primeiro Conselho Deliberativo, do qual faziam parte os Senhores: Aureliano de Andrade Junqueira (Presidente), Cláudio Amâncio da Silva Lemes, Joaquim Dias da Silva, Ângelo Hermida Vilar, Alfredo Moreira de Carvalho, João Pinto de Rezende e José Pedro Manso.
Quando a Revolução de 1930 triunfou, Getúlio Vargas tornou-se chefe do Governo Provisório brasileiro, fato que marca o fim da República Velha. A constituição de 1891 foi revogada e Getúlio passou a governar por meio de decretos, interrompendo em todo o território o exercício constitucional. Foram nomeados os chamados Interventores Federais para todos os Governos dos Estados, substituindo os Presidentes, com a exceção de Minas Gerais, onde Olegário Maciel, Presidente do Estado, foi mantido como interventor.
O Decreto n° 9.678, de 11 de novembro de 1930, em vista da Revolução, instituiu um novo regime às Prefeituras de todo o Estado e, em 10 de Janeiro de 1931, foi inaugurado o Conselho Consultivo do Município de Cambuquira, constituído por ato do Governo do Estado, no citado Decreto, e instalado efetivamente através do Decreto Municipal n° 01, de 24 de dezembro de 1930. O Conselho era composto pelos seguintes membros nomeados: Joaquim Dias da Silva, Pedro Beltrão de Souza Diniz, Dr. José Ribeiro Nogueira, Mário de Azevedo (Secretário) e Dr. Manoel Dias dos Santos Brandão, substituído, por não aceitação, pelo Sr. Tristão de Azevedo Silva. Quem presidia as sessões era Dr. Sylvio Marinho, Prefeito Municipal.
Em 1935 este Conselho foi substituído, por ato do Governo do Estado, por outros membros, que permaneceram nessa função até o restabelecimento do regime constitucional. Os membros nomeados foram os Senhores: Djalma Costa, Benevenuto Braz Vieira (Secretário), José Leonel de Rezende (Presidente do Conselho), José Félix Gonçalves e Tristão de Azevedo Silva. O prefeito, na época do novo Conselho, era o Dr. Manoel Dias dos Santos Brandão, que substituiu o Dr. Sylvio Marinho em 17 de maio de 1935.
Durante todo o período de sua existência, o Conselho Consultivo possuía como funções: emitir opinião sobre os recursos referentes aos atos do interventor nos seus aspectos legais, jurídicos e na sua conveniência para o Estado; emitir parecer sobre as consultas do interventor ou do Governo Provisório; e sugerir medidas relativas à administração pública para as autoridades municipais, estaduais e federais.
Por lei, o órgão era composto por cinco ou mais membros, nomeados sob proposta do interventor do Estado, por decreto do Chefe do Governo Provisório e referendado pelo Ministro de Estado da Justiça, Negócios e Interiores. Os seus membros deveriam ser cidadãos brasileiros, com boa reputação e domiciliados em localidade de fácil comunicação.
A reunião ocorria sempre que o interventor, o prefeito ou os seus membros julgassem necessário. Suas sessões eram públicas, salvo deliberação em contrário, e as resoluções eram tomadas por maioria absoluta de votos.
O Conselho esteve em vigor até o dia 27 de Julho de 1936 e, em 28 de Julho de 1936, através do restabelecimento do regime constitucional, foi instalada a Câmara Municipal de Cambuquira, em sua primeira legislatura.
A Câmara era composta por sete vereadores, cujas funções se exerciam em duas sessões anuais, destinadas, a primeira, na primeira quinzena de janeiro, para a tomada de contas da administração, e a segunda, na primeira quinzena de outubro, para a elaboração de leis e orçamentos. Qualquer outra sessão, em caráter extraordinário, somente aconteceria por convocação direta do Prefeito, e com a indicação expressa do assunto a ser tratado.
A Câmara Municipal de Cambuquira, eleita em 07 de julho de 1936, para o quatriênio de 1936 a 1940, foi composta pelos seguintes membros: Gabriel Flavio Carneiro (Presidente), João Garcia da Fonseca (Primeiro Secretário), Prudente Calil (Segundo Secretário), Dr. Ordomundi Gomes Ferreira, Pedro Beltrão de Souza Diniz, Dr. José de Freitas Henriques e Benevenuto Braz Vieira. Datam desta legislatura: a promulgação do primeiro Regimento Interno e a reforma do Regime Tributário Municipal
O primeiro presidente da Câmara Municipal, e também o vereador mais votado, Gabriel Flávio Carneiro (Dr. Bilotti), foi o engenheiro responsável pela velha estrada Cambuquira - Rio de Janeiro, e por outras importantes obras cambuquirenses. Homem de espírito público e reconhecidamente benemérito, foi também Prefeito Municipal, de 1959 a janeiro de 1960.
Porém, em 11 de Janeiro de 1937, Gabriel Flávio Carneiro e João Garcia da Fonseca renunciaram, e Pedro Beltrão de Souza Diniz e Benevenuto Braz Vieira enviaram ofício dizendo que somente voltariam à Câmara quando esta estivesse legalmente completa. Dr. João Silva Filho foi convocado como suplente, em 08 de Março de 1937.
Todavia, um fato histórico mudou os rumos do Legislativo, interrompendo, efemeramente, esta que deveria ter sido a primeira legislatura. Às 19 horas do dia 10 de novembro de 1937, pelo presidente Getúlio Vargas, foi instalado o Estado Novo, que suprimiu a função legislativa em toda a União, além de promulgar uma nova Constituição, elaborada por Francisco Campos e apelidada de Polaca. Os Estados passaram a ser governados por interventores, nomeados pelo Presidente, que designavam os Prefeitos Municipais, estes, subordinados ao Código dos Prefeitos, que lhes regia as atribuições. Toda a atividade legislativa municipal foi suspensa.
O Presidente Getúlio Vargas foi deposto pelos militares em 25 de outubro de 1945, quando voltou à normalidade o regime democrático. Com a Nova Constituição, datada de 1947, a ordem Municipal foi reorganizada e foi concedido o direito de se elegerem todos os componentes da administração, inclusive o Prefeito, que até então era nomeado pelo Presidente do Estado.
A Câmara Municipal é então reaberta e começa a tomar a forma que hoje possui, composta por nove vereadores e respectivos suplentes.

Fontes de consulta:
- Cambuquira – Estância Hidromineral e Climática – Thomé e Manoel Brandão – IBGE, ed. 1958.
- Atas das reuniões do Conselho Consultivo de Cambuquira, com início em 10/01/1931.
- Ata de instalação e Atas das reuniões da Câmara Municipal de Cambuquira, eleita para o quatriênio 1936 a 1940, com início em 28/07/1936.

Galeria dos Presidentes - 01

1947. Depois de 10 anos na inatividade, o Legislativo Municipal é então restabelecido. Era o fim do Estado Novo e a firmação da Nova Constituição do Estado de Minas Gerais, de 1947, e da Nova Constituição Federal, de 1946, a qual representou um grande avanço das liberdades individuais do cidadão. Foi a consolidação absoluta do período da redemocratização do País pós-guerra e pós-getulismo.
A eleição se deu a 23 de novembro de 1947. Essa foi uma data histórica, pois, a partir desta época, o cambuquirense pôde eleger não só os seus Vereadores, como também o seu Prefeito.
A primeira Câmara, a partir desse novo período, teve os seguintes componentes: Dr. João Silva Filho (vereador mais votado e Vice-Presidente e, quando licenciado, foi substituído como vereador por Abenir de Andrade Junqueira), Jary Sérgio de Oliveira (Secretário, tendo renunciado ao cargo na Mesa em 08 de Maio de 1948, mas sendo reeleito pelos Edis em 25 de Janeiro de 1949), Antônio Gonçalves, Sebastião Ribeiro Soares, Antônio Augusto Maia (renunciou, sendo substituído como vereador por Paulo Silva), Dimas Fonseca, Dr. Orlando Fonseca Lobato (eleito, mas não empossado, sendo substituído por Manoel Lopes Serrano de Oliveira) e João Ribeiro de Matos, sob a presidência do ilustre farmacêutico Sr. José Leonel de Rezende, tido pelos colegas como uma “figura simpática e dinâmica”, e que foi também presidente do Conselho Consultivo Municipal, em 1935.
A instalação da Câmara Municipal de Cambuquira se deu a 10 de dezembro de 1947, em uma das salas da Prefeitura, sob a Presidência do Dr. João Manoel de Oliveira Brasil Filho, Juiz de Direito Eleitoral da Comarca. As futuras reuniões ordinárias aconteceriam no Edifício da Prefeitura e, posteriormente, na Sala de Audiências do Fórum local.
A 21 de dezembro de 1947, foi dada a posse ao primeiro Prefeito eleito por Cambuquira: Sr. André Bacha, e a seu Vice, Dr. Vicente Urti, no Edifício do Grupo Escolar Dr. Raul Sá.
Para realização do Regimento Interno, na época, foi utilizado o modelo organizado pelo Departamento de Assistência aos Municípios, publicado no jornal Minas Gerais, a 11 de Dezembro de 1947, com algumas emendas modificativas.
Datam dessa legislatura: o início da realização de uma idéia inovadora da época, que era construção do Aeroporto Sul de Minas, consórcio entre duas Municipalidades, Cambuquira – Três Corações, conquistada em conjunto pela batalha de Vereadores e Prefeitura; a regulamentação dos horários do Comércio e das Indústrias; processo geral de modificação de nomenclatura das ruas da Cidade.
O mandato durou três anos, e nele foram estabelecidas as bases para o futuro da Câmara Municipal de Cambuquira. Rememorando as palavras de Sr. José Leonel de Rezende, Presidente da Casa, ao final dos trabalhos legislativos: “Penso que, nada obstante ter cometido algumas faltas, não desmereci a confiança dos meus colegas e pude, mercê de Deus, resolver com serenidade e isenção de ânimo os poucos casos desavindos que se me apresentaram. Aos amigos que vão continuar na próxima legislatura desejo um feliz êxito no desempenho de suas nobres atribuições e aos que, como eu, ficam de fora, continuem pugnando pelo progresso de nossa querida Cambuquira”. Louvado seja.

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