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terça-feira, 17 de novembro de 2009

ALTERNATIVAS MÉDICAS PARA ALGUMAS DOENÇAS.

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sábado, 14 de novembro de 2009

Não podemos ficar só nos discursos.

Ou,a nossa única nave que nos leva pelo Universo vai ter o seu casco furado e todos nós indistintamente ricos e pobres condenados.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Surto de Diarreia..

O texto abaixo foi elaborado com base em reportagens veiculadas na mídia em geral, informações coletadas de blogs, e-mails e opiniões de leitores.E, com base na liberdade de expressão "ainda existente nesse país" foram aqui postadas.Portanto, não é uma obra de ficção mas com base em fatos reais que a história da cidade deve registrar.
Acreditamos que à partir desses acontecimentos a cidade pode retomar o seu rumo, dependendo do que aqueles que a administram venham fazer. Defendemos o "bom senso" e a "humildade" como um melhor caminho para que se chegue a um acordo.Afinal, a cidade errou muito mais em postergar a resolução da questão do tratamento das águas da rede de abastecimento, só agora encampada, ao assumir, pelo atual prefeito com a criação do SAAE, aprovado pelo Poder Legislativo da cidade.

Hoje, ao pesquisar no "Google" sobre as últimas e infelizes notícias da cidade, comprovei o poder da mídia quando ela quer divulgar uma notícia e transformá-la numa "bomba". E, como outros tantos casos tal qual o da Escola Base da cidade de S.Paulo, conseguiram torpedear mais uma vez nossa cidade que ainda não se recuperou de outro antigo bombardeio e que envolveu o mesmo tema:a água da torneira confundida (inocentemente?) com águas minerais. Na história da Escola Base, conforme pude apurar no site do Instituto Gutenberg, a instituição de ensino foi fechada depois de um escândalo plantado pelos jornais e estações de tv da época televisão com base em indícios transformados em fatos . O desfecho final da história ficou com a condenação dos culpados ao pagamento de uma quantia aos sócios por conta dos danos morais sofridos por aquelas pessoas (Clique aqui e conheça melhor a história!). Voltando a nossa cidade, vemos que ela foi novamente destaque em centenas de páginas online (sites, blogs e comentários) depois da divulgação para todo Brasil por uma rede de televisão de um surto de diarreia e vômito, classificado pelos médicos do pronto-socorro como originários de uma "virose" (termo usado na área para tentar explicar fatos inexplicáveis até que se apure as verdadeiras causas). A notícia mais uma vez deixou em dúvida a qualidade das águas minerais, sem mesmo ter em mãos qualquer laudo como prova, baseando-se em meras e especulativas hipóteses. Se isso tivesse acontecido em qualquer outra cidade que não fosse uma das Estâncias Hidrominerais, talvez nem tivessem dado tanta importância. Mas, Cambuquira, conforme a Revista VipExame, é detentora da melhor água do país e por causa disso criou uma campanha para ser a "Agua da Copa em 2014" e se prepara para reativar o engarrafamento e comercialização dessas águas conhecidas pelos brasileiros há mais de 100 anos. Da primeira vez que bombardearam a cidade, a base foi o mesmo tema de agora, problema no abastecimento de água(das torneiras!). Naquela vez, a reportagem acabou por confundir os milhares de turistas que viriam à cidade mas acabaram por cancelar suas reservas com os hoteis, as pessoas começaram a duvidar da qualidade das nossas gasosas e da cidade. Assim, o turismo já mais fraco devido ao apelo das praias do nordeste e a queda do uso das águas como alternativa medicinal, perdeu mais adeptos, acelerando a decadência sentida também em Lambari e Caxambu e um pouco menos em S.Lourenço. Aquela notícia repercutiu não só nos quatro cantos do Brasil, mas foi vista e ouvida em New York e outras cidade americanas, na Europa e no Japão (tudo na telinha de milhões de televisores, rádio e já na internet que se engatinhava naquela época). Cambuquirenses e antigos visitantes ligaram aflitos para cidade a indagar:"__O que teria acontecido realmente com Cambuquira ?". Alguns setores da sociedade, inclusive as autoridades administrativa e o povo em geral não se conformaram com aquela verdadeira "bomba de Hiroshima" lançada sobre a cidade. Mas, pouco se fez a não ser alguns telefonemas e cartas talvez pouco delicadas devem ter sido dirigidas aos meios de comunicação. Não deu em nada!... Passado o tempo, as consequências estão aí visíveis na linda paisagem da cidade: a maioria dos antigos hoteis onde se hospedaram as pessoas mais ilustres do país e do exterior nas décadas passadas estão praticamente fechados ou transformados em meras hospedarias, o comércio local dirigido ao turismo foi obrigado a mudar o seu padrão para não fechar as portas e paulatinamente as grandes temporadas de turismo dos tempos das "Olimpíadas de Inverno" minguaram ou melhor, praticamente acabaram... Não se viu mais nas ruas nas piscinas e quadras de esportes aqueles grupos alegres de cariocas, paulistas e belo-horizontinos que mudavam a cara da pequena cidade transformando-a num pedaço mesclado dessas três metrópoles. Os artistas e cantores que andavam livres pelas ruas sem o assédio das pessoas também desapareceram. Agora, como naquela fatídica reportagem anterior e tal qual o ato executado contra a famosa Escola Base de S.Paulo, despejaram agora sobre nossas cabeças mais outra bomba semelhante. E, com essa verdadeira "diarreia mediatica", sofre mais um duro golpe uma das mais importantes e mais belas Estâncias Hidrominerais do país que ainda em luta para se recuperar dos antigos ferimentos. Como prova contrária aos fatos e da boa qualidade das águas minerais, na última segunda-feira estive nas fontes de Cambuquira e trouxe para casa algumas garrafas de água mineral que estão sendo consumidas normalmente sem nenhum efeito colateral que não seja o bem estar que aquelas maravilhas gasosas naturais nos proporcionam, para a inveja de muitos outros que não têm esse bem e esse privilégio. Para mim, isso por si só é uma prova mais que cabal de a reportagem não se podia ser feita com base em meras hipóteses e, como na Justiça onde não se julgam hipóteses mas fatos, cabem aos repórteres agirem da mesma forma. Desta vez, novamente fizeram a mesma coisa, condenaram mais uma vez a cidade, sem esperar a confirmação ou não das provas, num julgamento sumário sem direito a defesas, pena capital para uma cidade que ainda tem no turismo parte da geração de empregos e rendas de famílias que dependem disso para sobreviver. Se nada for feito a notícia ainda terá mais outros resultados danosos para a economia municipal num momento quando a cidade esperva em breve a instalação do novo engarrafamento de suas aguas minerais, seu importante fator na arrecadação de tributos já que nos tempos da Superágua respondia por mais ou menos 80% do ICMS efetivamente recolhido no município. Por causa disso, e considerando o lado econômico da água, além do natural atrativo turístico que é o Parque das Águas, cabe também à COPASA*, CODEMIG e o Governo do Estado de Minas Gerais* a obrigação de se aliarem à Prefeitura Municipal de Cambuquira e demais setores da comunidade para que se dê" prioridade máxima na apuração das causas em regime de extrema urgência urgentíssima". Feito isso, que exijam dos meios de comunicação envolvidos, principalmente da geradora e produtora da matéria, além de suas afiliadas, matrizes, jornais, etc., que divulgem o fato novo, quando se confirmar com as provas e que as nossas águas minerais continuam puras como sempre estiveram, apesar das manchetes danosas, desde a descoberta das fontes há mais de 100 anos atrás. E deve ir mais além! Que merecem sim serem intituladas com "Agua da Copa de 2014", como defende a campanha criada pela prefeitura e encampada por todos os setores da sociedade e por grande parte dos órgãos de imprensa da região que sem nenhum ônus entraram em mais essa luta por Cambuquira. A imprensa regional minimiza os fatos: (Mas, será que isso adianta?) Agua da rede de abastecimento pode ter sido a causa da diarreia. (Clique e leia!) No fechamento desta nota, assisti na tv a declaração do Diretor Regional de Saúde Estadual (Varginha) opinando que a virose pode ter sido resultado de alguma contaminação da tubulação de água que serve às residências, descartando a contaminação das fontes que continuam fornecendo água mineral à população sem nenhum dano saúde dos usuários. Nesta mesma reportagem veiculada no Jornal Regional da EPTV (19,00 h - quinta ) foi mostrado que de um grupo de 60 ciclista que pernoitaram na cidade, 40 tiveram sintomas semelhantes aos apresentados em parte da população. Foram ainda entrevistados alguns usuários e frequentadores do parque, coletando destes declarações de que não sentiram nada ao ingerir as águas minerais em nenhuma ocasião. Marilia Noronha, secretária da ONG Nova Cambuquira, também participou da reportagem quando levou a público que a entidade por ela representada entrou com pedido formal através do Forum da cidade exigindo que a CODEMIG - Empresa Estatal proprietária do Parque das Águas que faça a análise das águas, conforme era executado com a demonstração dos resultados para consulta pública. Esta empresa estatal, numa resposta sem fundamento algum, alegou que não divulga os laudos devido a falta de espaço devido às obras do novo balneário.**(veja a nota abaixo) * NOTA :O chamamento da COPASA e do Governo do Estado de Minas Gerais à questão se deve ao fato de que este não foi só um "arranhão" contra Cambuquira, mas à credibilidade da empresa estatal que controla a exploração das águas minerais da cidade e todo o Circuito das Águas. Se alguém achou que isso atingiu apenas nossa Estância, está enganado. Todas cidades e o turismo da região perdem com isso já a mesma empresa que explora uma também explora quase todas as outras fontes do circuito. E, se esses órgãos e pessoas ainda não atentaram para o fato, está na hora de levarem em consideração mais essa triste evidência. ** A Superáguas divulgava mensalmente os laudos colocando uma cópia das análises em quadros devidamente protegidos no recinto de cada fonte dos parques de Cambuquira, Lambari e Caxambu, incluindo-se aí aquelas que não podem ser engarrafadas devido ao autor teor de ferro presente nas suas composições. (O que derruba a tese da CODEMIG)
Ainda para esclarecer, a rede de água da cidade é abastecida por três ou mais fontes diferentes, sendo o manancial da Serra do Piripau o mais importante e que abastece a parte central da cidade, onde estão os principais hotéis. Esse sistema de abastecimento sofreu no mês de setembro uma reforma quando foram trocados alguns dos antigos canos que já se apresentavam corroídos. Acreditamos que essa obra, algum material usado, além de fatores climáticos que podem ter levado algum resíduo às nascentes, possam ser em conjunto ou separadamente o fator ou fatores que deram causa na provável contaminação das águas das torneiras. E, essa contaminação tanto pode ser biológica como química, o que só os laudos do instituto contratado poderão confirmar.


Mais comentários: (breve!)


P/voltar à página original clique aqui!

Veja abaixo algumas manchetes coletadas na internet (clique na linha se desejar ler), o que prova a que nível chegou a notícia do surto de diarreia.




















Surto-de-diarreia-em-cambuquira - Jornal Sul Mineiro


NOTÍCIA DO PRIMEIRO EVENTO AINDA DISPONÍVEL NO PORTAL G1 :

http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1148109-16022,00-AGUA+IMPRORIA.html

A notícia também foi reproduzida por outras emissoras de tv: (veja abaixo o vídeo)
Clique no play no centro da imagem abaixo e aguarde o carregamento da reportagem.






"PELA UNIÃO EM FAVOR DE CAMBUQUIRA". Este é o lema deste blog.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Astronomia.

A influência da astronomia na ciência e na humanidade

Por Enos Picazzio*

Este é o Ano Internacional da Astronomia. Para os brasileiros é um ano especial, pois pela primeira vez sediamos uma Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, que ocorreu em agosto passado na cidade do Rio de Janeiro.

Há 400 anos, Galileu Galilei (1564-1642) apontou sua luneta para o céu e nos apresentou um universo que desconhecíamos. Hoje com telescópios modernos de solo e espaciais conseguimos ver muito mais, no entanto o universo continua desconhecido. Ele é muito grande e muito complexo.

O século XX foi fortemente marcado pela física. O século XXI sofrerá forte impacto da astronomia e da biologia. Evoluímos olhando o céu O interesse do ser humano pelos astros perde-se no tempo. Certamente nossos ancestrais mais primitivos usaram a Lua, os planetas e as estrelas como guia e calendário. As mudanças sazonais eram fundamentais para a sobrevivência, por isso as estrelas típicas das estações eram usadas como calendário. Noites de lua cheia propiciavam melhores condições para as atividades noturnas. O céu estrelado era um mapa para caminhadas longas ou mesmo migrações, sobretudo nos mares que são desprovidos de figuras de superfície que sirvam de referência.

Gradativamente, nosso raciocínio tornava-se mais complexo. Assim, passamos a observar mais detalhadamente o movimento dos astros, distinguimos os que pareciam mover-se em conjunto mantendo as mesmas posições relativas (estrelas) daqueles que se moviam independentemente uns dos outros (planetas), percorrendo o céu sempre dentro de uma região limitada (faixa zodiacal). O movimento diurno do Sol e das estrelas marcava o dia. A variação da posição da Lua relativamente ao fundo estrelado era periódica (mês), assim como a mudança de posição das estrelas em um mesmo horário (ano). Durante um ano, o meio ambiente passava por períodos bem distintos (estações sazonais), fundamentais para a sobrevivência. No verão o dia era longo e havia abundância de alimentos. No inverno o dia era mais curto e a sobrevivência era mais complicada, por conta do frio e da escassez de alimentos.

Com o passar do tempo nossa percepção do céu foi se tornando mais complexa. Não bastava conhecer o movimento aparente dos objetos, era preciso entender melhor como isso acontecia. Assim surgia a cosmologia antiga, que evoluiu através da Babilônia e Egito e, posteriormente, pela Grécia antiga e no mundo moderno. Filósofos como Pitágoras e Aristóteles abordaram a cosmologia através de números e geometria, de certa forma como se faz na ciência moderna.

Na sociedade grega a geometria era uma atividade intelectual de destaque, inclusive no pensamento filosó­fico. Ela representava a combinação perfeita entre lógica e beleza. “Deus é o grande geômetra. Deus geometriza sem cessar. Por toda a parte existe geometria”, dizia Platão (470- 399 a.C.). Platão concebia cinco sólidos primários simétricos, compostos exclusivamente de polígonos regulares: tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e o icosaedro. Baseado nesse conceito de perfeição e no modelo heliocêntrico, Johannes Kepler (1571-1630 d.C.) justificava a existência dos seis planetas conhecidos circunscrevendo esses sólidos em esferas. Entre seis esferas, pensava Kepler, só podem caber cinco sólidos: o Sol no centro, seguido da esfera de Mercúrio, cercada por um octaedro. Depois a esfera de Vênus, cercada por um icosaedro. A da Terra, cercada por um dodecaedro. A de Marte, por um tetraedro. A de Júpiter, por um cubo. Por fim, a esfera de Saturno.

Outros filósofos gregos além de Platão descreveram a dinâmica dos corpos celestes através de movimentos uniformes e trajetórias circulares, ambos símbolos da perfeição. Como o universo aparente é geocêntrico, isto é, tudo parece mover-se em torno da Terra, os modelos cosmológicos antigos apresentavam os astros orbitando a Terra em trajetórias circulares, sobre esferas cristalinas concêntricas. Para explicar a inversão de direção do movimento orbital aparente dos planetas (laçadas) e a variação da velocidade orbital e do tamanho aparente, as órbitas circulares se multiplicaram e passaram de concêntricas a excêntricas. Cada planeta movia-se uniformemente ao longo de um círculo (epiciclo), cujo centro movia-se em torno Terra ao longo de um círculo maior (deferente). O centro da deferente estava entre a Terra e o equante (leia resenha, Harmonia do mundo, por Rodrigo Cunha, na ComCiência). Visto do equante, o movimento orbital do epiciclo era constante. Visto da Terra esse movimento era variável.

O conhecimento astronômico babilônico e grego foi compilado e aperfeiçoado por Claudio Ptolomeu (87-151), e publicado em treze livros (Almagesto). O modelo geocêntrico prevaleceu por mais de 16 séculos, até que Nicolau Copérnico (1473-1543) resgatasse e aperfeiçoasse o modelo heliocêntrico de Aristarco de Samos (310-230 a.C). A Terra perdeu o status privilegiado de centro do universo e passou a ser apenas mais um planeta girando em torno do Sol. Retirar o homem desse centro foi um marco histórico significativo.

Com seu trabalho, Tycho Brahe (1546-1601) impôs novo limite na história da astronomia. Ele foi o maior observador até a sua época e produziu o maior acervo de dados. Em 1572, ele descobriu uma estrela nova em Cassiopeia, mais brilhante que Vênus e que podia ser vista à luz do dia. Hoje sabemos que se tratava de uma supernova, a morte catastrófica de uma estrela. Tycho mostrou que essa estrela estava bem além da Lua. Em 1588 ele publicou os resultados de suas observações de um cometa que aparecera no ano anterior, mostrando que esse cometa se movia entre as esferas dos planetas. Essas observações contradiziam a crença aristotélica de que o universo era uma obra perfeita e o céu era imutável.

Usando observações de Tycho Brahe, o matemático Johannes Kepler mostrou que as órbitas dos planetas não eram circulares, mas cônicas de Apolônio, com o Sol em um dos focos. Ele também mostrou que as velocidades dos planetas em suas trajetórias não eram constantes, elas variavam com a distância deles ao Sol. Esse foi mais um duro golpe na estética de perfeição.

Era telescópica

Com suas pesquisas, Galileu abala ainda mais a crença de um universo perfeito e marca uma nova fase da ciência, em especial da física e da astronomia. Instigado pelo movimento dos planetas em órbitas fechadas ele desenvolve trabalhos fundamentais em mecânica, sem os quais Isaac Newton (1643-1727) não teria desenvolvido sua mecânica. Galileu percebeu rapidamente o potencial astronômico de um instrumento óptico que, na época, circulava pela Europa. Era a luneta. Ele construiu várias lunetas, de diferentes tamanhos e potência, e as utilizou como telescópio. Com isso, Galileu iniciou a era telescópica da astronomia, que mudaria completamente nossa visão sobre o universo e seus componentes. Passamos a enxergar melhor e mais longe.

Foi observando o universo que aprendemos que matéria e energia são duas manifestações diferentes da mesma realidade física fundamental e que podem converter-se, uma na outra. Descobrimos como os elementos químicos são forjados, como eles formam moléculas e as condições em que essas moléculas sobrevivem. Aprendemos como as estrelas surgem a partir da matéria que permeia o espaço e como elas evoluem e como manipulam a composição química do universo. Também descobrimos como se formam planetas como a Terra e em que condições eles podem suportar uma biosfera. Descobrimos como a vida tem sido afetada por colisões catastróficas entre corpos celestes e a Terra. Aprendemos a estimar o tempo de vida das estrelas, sabemos como o Sol evoluirá e por quanto tempo as condições ambientais terrestres permitirão nossa existência. Aprendemos, enfim, que embora nossa casa seja a Terra, nossas raízes e nosso destino estão no espaço.

Democratização do conhecimento

A sobrevivência da biosfera é a preocupação mais fundamental da humanidade. Em escala global, a compreensão das razões que implicam em mudanças ambientais e a maneira de se preservar o ambiente demandam conhecimento da interação da Terra-Sol e da ação humana no planeta. Dependemos do Sol para existir, e existiremos enquanto as condições ambientais forem adequadas à vida. Também dependemos da Lua para estabilizar a inclinação do eixo de rotação da Terra, evitando glaciações severas.

O processo através do qual a energia solar se distribui na Terra e suas consequências no clima ainda são mal conhecidos. A climatologia espacial utiliza conhecimentos de geofísica, ciências atmosféricas e astrofísica solar para estudar essa interatividade. É necessário também estudar a influência humana sobre o clima. Para alguns, a presença humana deu início a um novo período geológico: o Antropoceno. Na revista Nature, de 24 de setembro último, foi publicado um trabalho criterioso de vinte e nove cientistas, em que se sugerem limites à ação do homem para evitar alterações ambientais de dimensões catastróficas.

Gerenciar corretamente essa situação complexa é uma tarefa dificílima, cujo sucesso depende mais dos cidadãos do que de seus governantes. Para tanto, é necessário que as pessoas entendam o problema e se conscientizem da sua gravidade. Só há um caminho para isso se concretizar: a educação. Uma das maiores virtudes da educação é que ela nos ensina a pensar. Pensar com disciplina e critério exige treinamento, desde cedo.

Nesse processo, a divulgação desempenha papel fundamental. A tarefa primordial da universidade é produzir conhecimento e democratizá-lo, mas para isso ela precisa de bons pesquisadores, bons professores e, sobretudo, bons alunos. Bons alunos se forjam através de programas educacionais de longo prazo e infraestrutura de qualidade, com escolas, bibliotecas, espaços culturais, como museus, parques temáticos, zoológicos, jardins botânicos, planetários e outros, e em instrumentos de divulgação científica, como jornais, revistas, programas televisivos, internet etc.

Como lembrou Carlos Vogt em sua entrevista publicada na 100a edição desta revista, o papel da divulgação científica não se restringe em difundir a informação, mas também formar no cidadão uma visão da ciência, discutindo o papel e a função da ciência na sociedade. Nesse contexto moderno, o cientista deixa de ser o sábio isolado da sociedade, o cidadão deixa de ser o ignorante isolado da ciência, e o divulgador deixa de ser apenas um elo entre ambos. A responsabilidade de difusão do conhecimento é de todos e se dá em todas as esferas sociais. Para tanto, é necessário despertar no cidadão a visão crítica, para que ele entenda e se conscientize do papel da ciência. Não basta ter acesso à informação, mas é fundamental ter uma visão crítica do processo através do qual se produz conhecimento científico e se difunde esse conhecimento na sociedade. Essa cultura científica pode aperfeiçoar os modos de se fazer e pensar ciência e a própria divulgação. Em essência, isso é saber pensar.

Levar à sociedade o conhecimento produzido pela ciência, além de ser uma obrigação profissional daqueles que produzem o conhecimento, é uma excelente estratégia de apoio a projetos sustentados por verbas públicas. A divulgação educa desde estudantes até os gestores públicos sobre os pontos importantes levantados pelo trabalho científico. Em síntese, é necessário informar para formar.

Entretanto, para informar bem é necessário primeiro formar o informante. Se por um lado, a divulgação feita pelos próprios produtores da ciência pode ser considerada um avanço e um sinal de respeito à sociedade, de outro ela pode carregar alguns vícios, justamente por vir diretamente do cientista. Portanto, cabe a este preparar-se adequadamente para transmitir à sociedade seus conhecimentos usando uma linguagem mais apropriada ao público alvo.

No que tange ao jornalismo científico, embora se reconheça um crescimento expressivo nessa área e a existência de alguns centros de excelência na divulgação científica brasileira, na opinião de Wilson da Costa Bueno (“O que está faltando ao jornalismo científico brasileiro?”, site da Associação Brasileira de Jornalismo Científico) “o panorama continua pouco favorável ao jornalismo científico nos ‘jornalões', no rádio e na televisão”. Ainda segundo ele, o problema maior está na prática de um jornalismo científico que é pouco investigativo e vive a reboque de fatos sensacionais, que não atende à sua função pedagógica e que não está comprometido com o processo de democratização do conhecimento. A falta de uma “cultura de comunicação” nas nossas principais universidades, empresas e institutos de pesquisa; e a falta de consciência dos editores e empresários da comunicação, que buscam pautas óbvias, “oficialescas”, contribuem para isso.

Essa situação pode ficar ainda mais complexa quando se procura transmitir conceitos a um público com diferentes níveis de escolaridade. E esse é o desafio da divulgação científica: expor o conhecimento científico em linguagem popular. Isso não é uma tarefa simples. Jean Le Ronde D'Alembert (1717-1783), físico, filósofo e matemático, dizia: “nunca seria demais simplificar e, por assim dizer, popularizar a linguagem de cada ciência, o que seria não só um meio de facilitar seu estudo, como também retirar do povo um pretexto para desacreditá-la”.

Imprecisão na informação amplia o desconhecimento

Uma busca, ainda que rápida, em veículos de comunicação impresso e eletrônico, incluindo livros e sítios didáticos, revela inúmeros exemplos de escolhas equivocadas de palavras e expressões para substituir termos técnicos, que nem sempre são inteligíveis. Talvez o caso mais clássico seja Lua e lua. Galileu parece ter usado o termo lua para referir-se aos quatro satélites que descobriu em torno de Júpiter. Em tese, sabemos quando se usa uma ou outra palavra, mas isso tem causado muita confusão em todos os meios de comunicação. Esse equívoco é cometido mesmo no meio universitário. O que será que se passa pela cabeça de uma criança ou de uma pessoa pouco esclarecida quando ouvem uma frase do tipo “A lua da Terra é a Lua.”? O que existe de impróprio na palavra satélite para ser trocada por lua ? Essa palavra é confusa, aquela é precisa. Ninguém diz que o satélite Goes é uma lua meteorológica, nem que o GPS é um sistema de posicionamento baseado em 28 luas.

Outro termo muito usado em linguagem metafórica é sistema(s) solar(es) no lugar de sistema(s) planetário(s). O primeiro termo é específico e o segundo é genérico, logo essa linguagem metafórica procura generalizar o específico. “A Terra é um planeta do sistema solar do Sol”. Pura redundância. E se alguém dissesse que os continentes são banhados pelos atlânticos Índico, Ártico, Antártico, Pacífico e Atlântico? Mas o problema pode ser ainda mais sério: ao se dizer que há outros sistemas solares além do nosso, pode-se passar a ideia de que esses sistemas planetários sejam iguais ou parecidos com o solar. Não são.

Há expressões que beiram o ridículo, como, por exemplo, “estrelas que gaguejam”. Aqui, o termo gaguejar foi usado para se referir a sinais em ondas de rádio, com duração de milissegundos, que se repetem imprevisivelmente em intervalos entre minutos e horas. O uso dessa expressão ajudou o leitor a entender o fenômeno físico envolvido nesse comportamento?

Em textos de astronomia há muitos outros exemplos de termos inadequados, como, terras (exoplanetas rochosos), superterras (planetas rochosos maiores que a Terra), júpiteres (exoplanetas gasosos), júpiteres-quentes (exoplanetas gasosos muito próximos de suas estrelas), vias-lácteas (galáxias) etc. Infelizmente, parte deles foi criada pelos próprios astrônomos. O que se questiona não é o uso de metáfora na linguagem simplificada, mas os malefícios que elas causam quando usadas incorretamente. Imprecisão, analogias abusivas e desconsideração com conceitos básicos nas diversas áreas da ciência, em boa parte dos casos, ampliam o desconhecimento do leitor em vez de sensibilizá-lo para a perspectiva do conhecimento.

Há duas qualidades que tornam a astronomia uma ciência especial: sua interação com as demais ciências e sua sedução. Paul Caro, químico francês e competente divulgador, diz que “uma das áreas mais fáceis de divulgar é a astrofísica, porque tem belas imagens do céu e a origem do universo é muito interessante. A história da criação é uma história clássica de qualquer religião ou contos de fadas. Por exemplo, a criação das estrelas, num processo que envolve química nuclear, é uma história atraente e as pessoas aprendem-na. Se fosse uma palestra sobre a química nuclear, não ouviriam”. Por isso mesmo, a astronomia é muito utilizada por todos os meios de comunicação. Devemos aproveitar essa característica da astronomia para educar, mas essa iniciativa pode não cumprir seu papel adequadamente se as imprecisões persistirem.

* Enos Picazzio é professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) e desenvolve pesquisa em astrofísica do sistema solar, com ênfase em cometas e Sol.

Fonte:
(Envolverde/ComCiência)

Base de dados: Envolverde
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sábado, 3 de outubro de 2009